O tempo leva consigo as memórias, assim como o vento leva as folhas no outono.
Mas as folhas que não se vão, estas são insólitas exceções que fazem restar um pouquinho do que já passou.
E no marcador mais impiedoso- isto que chamamos de tempo, estas folhas são as lembranças que não se anulam com sua passagem.
É por isso que um pouquinho de você ainda existe em mim; é por isso que ainda dói pensar no que passou, e que não voltará; é por isso que a borracha do tempo, por mais que desempenhe um trabalho sublime e majestoso nunca será impecável, pois ela não terá forças para apagar o que um dia foi minha força de viver.
Talvez tenha vivido muito pouco para descobrir em quanto tempo isto se apagará totalmente em mim. É por isso que nós, humanos, vítimas e ao mesmo tempo culpados destas dores que o tempo não carrega para longe, estamos constantemente desenvolvendo métodos para sabermos conviver com estas “folhas que não se vão”. Encontrar outro foco, encontrar conformação. Encontrar outro alguém.
E nosso coração acaba adaptado a estes métodos, esperando que outros ventos venham, e arrastem estas folhas que restaram, ou traga folhas de outros outonos, para que nossa alma deixe de viver no rigoroso inverno da inquietação e da conformação, enquanto esperamos que chegue a primavera dentro de nós, para florir e ocultar aquelas folhas que estão em qualquer canto de nossa alma, esperando para se manifestar através de lembranças, que hoje doem tanto.
Mas meu consolo é saber que, certamente, a primavera chegará.

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